E porque nem sempre é fácil a revelação pessoal brotar dum pulo de língua ou dos saltitos de dedos destros . O ser feito novelo que se desenrola com desvelo . Toma-se-lhe a ponta . Desfia-se . Recriemos
domingo, junho 4
sexta-feira, junho 2
Tradução da escrita abaixo
Foi há tempos que me cruzei com um certo comentário, num blog de que agora nem me recordo "há alguns anos atrás também era gótica...".
Não pretendo negar a cada um a sua maneira de viver e sentir o que acontece na sua vida, nem acho que a minha seja O modo, só que ao ler tal frase algo cá dentro abanou.
Não consigo depreender este estado como sendo passageiro: Ou se é, ou nunca se foi; não há passagem nem retrocesso. Mas isto sou eu em sê-lo.
Quanto a mim, ser-se gótico vive-se no, e para o, interior. É todo aquele que constroi um reino dentro de si porque se vê impossibilitado de o erigir na realidade que o rodeia--e isto provavelmente nada significa a quem me lê, a não ser para mim, porque o sinto.
Daí aquele aparente vazio. O vazio visível.
No meu imaginário os seres vagueiam nus sem artefactos ou artifícios exteriores, porque a imagem é o ruído de fundo, o que está a mais, e quanto menos ruído, mais preenchida será a essência do ser.
Restringida, desse modo, ao imprescindível.
Mas isto sou eu.
quinta-feira, junho 1
No ser-se gótico
(
)
Não é gralha nem falta: Não me esqueci do texto.
Mas nem por isso está vazio.
sábado, maio 27
"olha... dá-me um conto"
O outro, dei-to. Fazes dele o que assim quiseres. Este, é-nos oferecido.
Os olhos faíscavam-lhe de emoção. Como que possesso por uma força sobrenatural, ele cavava, cavava cada vez mais fundo, a eito, sem rumo. Encorpado por uma alegria infantil de quem come a sua primeira cereja ou recebe aquele beijo tremido de adolescente ou como quem pesca uma beata do pó do caminho e a fuma às escondidas. Cavava o homem no esplendor do seu regozijo enquanto elas começaram a sair sem que ele desse conta. Uma após outra, de mansinho no começo, com folguedo logo após. Pulavam e fugiam. Flutuavam ao seu redor , davam risadas de menina travessa e ele alheio a todo este esplendor.
"como pudera este utensílio ter estado resguardado todo este tempo?"
O suor toldava-lhe a visão, ardia-lhe a fantasia. "tem desígnios superiores, estou crente disso".
Até que a fadiga o começa a atingir e a sulcar-lhe a alma, a cavar-lhe olheiras profundas no seu propósito. E foi aí que as reparou. Demasiado tarde, todavia. Apercebeu-se da sua desregra e tentou alcançá-las, às ideias. As puras, as absolutas.
Na correria, no seu passo desordenado, nem se dá conta do estado em que leva a mente: côncava, escavada, vazia.
Reza a lenda que agora foi inventada, que, até hoje, nunca mais o homem foi o mesmo. Elas voltam, sim, lá de quando em vez regressam elas ao berço. Não para lhe dar tréguas, mas sim para que ele sofra cada vez mais com a lembrança da perda.
quarta-feira, maio 24
Idos e lidos
"Onde estão as guerras?"
05-03-2006
As guerras agora resumem-se a um punhado de ninharias. Ter o nariz enfiado num livro, trocar o 5 pelo 9 na paragem de autocarro; embarcar no erro e desembarcar na contra-mão. Correr contra o vento gelado que me fustiga o rosto, enregela-me as órbitas e me faz rosnar entre dentes «malditos tempos, estes!!».
Aos poucos, o ânimo de luta esvai-se.
Não se sente glória alguma na batalha, e isto talvez o seja, em grande parte, porque o nosso oponente é sempre o mesmo: invisível e sempre triunfante.
O tempo.
17 Março 2006
Hipótese A
Não é nenhuma surpresa. As modas são o que todos nós sabemos e estamos habituados: chegam depressa e mais depressa morrem - umas mais depressa que outras. Há também aquelas - geralmente as que mais depressa desaparecem - que têm a faceta de retornar ligeiramente deformadas, alinhavadas a novas curvas de ideologia e fisionomia, para serem de novo aceites.
A mim, não é a moda em si que me atrai, mas sim todo um espectáculo a que se pode assistir daqui da bancada, sem necessariamente me interessar pela integração. Por vezes atrevo-me a desafiar-me tentanto antever novas modas mesmo antes que elas ameacem aparecer.
E as modas desfilam sempre e sempre porque o povo é guloso e sabe-lhe sempre a pouco o já muito que tem.
(tem piada que eu vinha falar de blogs e já me estou a perder...)
É isso, os blogs.
Será que daqui a um curto tempo, veremos nas bancas, editado em papel, caixas de comentários de determinados blogs?
(ou já existe e nem estou a par?)
sábado, maio 20
2046
"In love you can't bring on a substitute"
10
100
1000
"Love is all a matter of timing.
It's no good meeting the right person too soon or too late"
sexta-feira, maio 19
Laranjinha laranjão dá um gominho para São João*
Numa altura em que nunca se ouviu falar tanto de umbiguismo como esta, em que as mútuas acusações desfilam contínuas e sem cessar; noto, no entanto, que aos meus olhos os umbigos que se contemplam não são, afinal, os próprios, mas sim o dos outros.
* E assim se cantarolava, com o dedo indicador enfiado no umbigo da laranja.
quinta-feira, maio 18
Submergir
Estás errado.
Eu nunca estive presa em mim.
Até agora.
O que nunca tive foi a exposição deste poço negro que existe cá dentro e que tanto pode revelar. Uma vez retirada a tampa que lhe escondia a abertura, é imperativo o mergulho.
quarta-feira, maio 17
Migalhas
Nunca esperaram algo um do outro. Era esse o lema que os regia.
No dia em que ela decide partir, ele segue-a.
Não suportou a ideia de vir a ter que esperar que ela regressasse.
domingo, maio 14
Cifras e cifrões
Talvez esteja na hora - histórica - de aparecer uma outra pedra de Roseta que ajude a decifrar todas as parábolas existentes e que, até ao presente, sempre foram interpretadas mediante o sabor de quem as quis ler ou saber.
Na marra
Nunca compreendi muito bem essa expressão "ser advogado do diabo".
Precisará ele de alguma defesa, uma vez que sempre foi tão extensa a sua lista de seguidores?

