2006 é o colmatar de brechas em formato de sons. Estes que se seguem, são dois dos vários que tenho cá dentro, que me conseguem sempre deixar os olhos picados por cloreto de sódio.
E porque nem sempre é fácil a revelação pessoal brotar dum pulo de língua ou dos saltitos de dedos destros . O ser feito novelo que se desenrola com desvelo . Toma-se-lhe a ponta . Desfia-se . Recriemos
quarta-feira, fevereiro 21
dB
domingo, janeiro 14
I dream of open doors and gates of places I've never been before. Or have I?
There's a gate surrounding my thoughts that is slightly opened. Just a bit. Just the right amount not to suffocate. But what I want is to have big gulps of air, AIR!!! Gushing down my entrails, and expel myself through those tiny molecules.
I can't open it wide enough...
domingo, dezembro 31
Despedida
Despeço-me do ano velho com obra feita por duas pequenas mãos que contribuem, deste modo, para o crescer do Farrapos. Quem melhor do que eles para o fazerem por mim?
A quem aqui vem, e toma o cuidado de nos ler todos os dias, mesmo que não publiquemos com tal periodicidade, o meu desejo de um 2007 a baloiçar entre o polegar e o mindinho.
Desfirem-lhe com toda a vibração que vos aprouver.
Título Pear Knot
Riscos de Jessica, 8
Coloração de David, 5
terça-feira, dezembro 19
9
Alguém que tenha a bonança e a tempestade num mesmo olhar; olhar pousado no infinito de visão 360º; se sente comigo, de pernas cruzadas, no pedregulho do alto da falésia, e se atreva a cavar um fosso.
19 Dez. 2006
sexta-feira, dezembro 8
8
É quando me entrego a tarefas simples - como passar a ferro ou descascar ervilhas -, que me sinto atingir verdadeiros estados de iluminação. Toda a energia parece ficar concentrada no interior onde uma enorme caldeira entra em ebulição, os movimentos exteriores são meramente mecânicos.
Talvez isto explique porque este mundo actual carece tanto de luminosidade.
quinta-feira, dezembro 7
7
Há misturas efervescentes. Outras, explosivas.
Mas de pouco ou nada vale ser o bicarbonato na ausência de líquido.
segunda-feira, dezembro 4
Vidas sem título
No decurso dos séculos, nota-se um crescendo de dias assim : solitários.
E nesse abandono de dias, verifico que o medo, em mim, já se não processa do mesmo modo.
terça-feira, novembro 28
5
Onde está o futuro?
(Está nos olhos de quem não teme)
Não me olhem assim e respondam-me: ONDE ESTÁ O FUTURO?!
terça-feira, novembro 21
segunda-feira, outubro 30
Convocação
"Gosto do vento mas só quando o procuro."
É esta frase uma das.
Daquelas que resistem; das que servem de trave-mestra; das que respiram união. E foi essa a frase que a levou a sentar-se ali. Ali em cima da mesa de madeira acinzentada pelo tempo, de pernas cruzadas.
Procurava-o.
De costas viradas para o ocaso, tinha os olhos cravejados na fonte, na nascente de toda a luz. Fustigava-lhe as costas - o vento -, parecia querer dizer-lhe algo, mas ela não mostrava qualquer receptividade. Esbraveceu, ele. Começou gradualmente a levantar a voz; aquele vozeirão todo fazia tremer a natureza minutos atrás tão calma. Engrossou o tom com que a chamava; revolvia as folhas já caídas de dias, devolveu-as à queda, ao vôo solto de serem raínhas por instantes apenas. Remexeu os braços expessos das árvores anciãs até que elas chiassem Escuuuta-ooo. Mas ela mantinha-se sentada - quase nem pestanejava - no meio de todo aquele alvoroço.
Não se sabe se impávida, se serena, se desatenta, se revoltada, se inquieta, se todas as emoções contidas num pequeno tubo de ensaio - nem mesmo eu que aqui a conto o sei.
- As mensagens são geralmente bem melhor escutadas e compreendidas de permeio com o caos -
E quando alguém a questionou Que fazes aí?, respondeu Penso.
quinta-feira, outubro 5
3
In that past, now long forgotten, we were the doers.
In this present, we can probably call ourselves the thinkers, although we might not realise to what extent we truly are.
How about the future? What will we become in the ages to come?
segunda-feira, setembro 25
sábado, setembro 16
quinta-feira, agosto 31
Há sons assim
Os acordes não estavam a brilhar cá dentro, mas a letra "I'd rather feel the pain than nothing at all" foi a bofetada necessária para despertar quem já não dormia dias a fio.
O tal nothing é que é fodido, e cada vez paira por mais tempo e muito mais amiúde.
terça-feira, agosto 22
-1
Serão desencontros propositados ou simplesmente rasgos de tempos descompassados?*
(*resgatado de um pedaço de papel esquecido no fundo de uma gaveta)
sábado, agosto 19
A ruminar
Desde que me lembro saber ler que tenho este hábito, um entre alguns, mas por ora e aqui só fica aprovado este. Costumo olhá-los ao longe, deitados, de modo a poder saborear em primeiro plano o nome, assim de lado, e, entre aproximações, tanto físicas quanto mentais, tento entrever a história por detrás do título que o deitou às prateleiras. O tempo histórico, as personagens, os riscos calculados ou não a que se entregam e com quem e porquê e a polpa da fruta que estou prestes a saborear. Deito-lhe a mão e sopeso-o.
Abro ao calhas e leio a passagem onde os meus olhos caiem pela primeira vez.
- anda comigo
e levaste-me para a cama. Enroscaste-te em mim e começaste
a coçar-me as costas, muito devagar. Dormimos muitas e muitas
vezes assim - e nunca, nem por um segundo, pensámos em fazer
aquilo a que os inocentes chamam sexo. Falávamos muito disso,
sim - desse acto a que as pessoas vão chamando sexo ou amor
consoante as conveniências e as circunstâncias. Esse acto que as
pessoas vão repetindo até à mais exaustiva solidão. Nós não podía-
mos prescindir um do outro. Não podíamos entrar no infinito jogo
finito do corpo. Derramei sobre a tua vida, por incontáveis noites,
os meus breves amores perfeitos, pormenor a pormenor. E tu der-
ramaste sobre a minha as tuas paixões impossíveis, impossíveis
de apagar. Desejo-te tanto, ainda.
página 109
Pedrosa, Inês.Fazes-me falta.
Não retrocedo as folhas. Por esta passagem me fico, por enquanto, enquanto que o baque tilinte cá dentro.
sexta-feira, agosto 11
Da névoa
Quando se segura a vida na ponta dos dedos como a um cordel.
Esticar, mais, menos, com que frouxidade deixar que caia ou, de súbito, provocar-lhe um repentino esticão?
Sei como fazer tudo isto, com ou sem consciência de.
Mas... quem segura a outra ponta?
sexta-feira, julho 28
Sinais
Ou melindres de perseguição.
São, por vezes, colagens inesperadas que se aderem defronte dos olhos e nem as sacudindo, como o fazemos às moscas, elas se afastam.
Ainda não refeita do acordar e, enquanto me debatia mentalmente no pesar de acções, assimilar de sentimentos adormecidos, medir distâncias que nem sequer o são; os olhos caem sobre duas cartas de jogar - daqueles jogos em que monstros se debatem uns com os outros e onde a minha inaptidão é notória - deixadas ao acaso e por acaso por mãozitas brincalhonas em cima da mesa. Super Stamina e Sacrifice, assim se chamam as ditas. Não pude deixar de sorrir.
E de chorar. Quando o último som que ouvi a sair da radio, à partida, me dizia no te vayas.
E de me maravilhar. Quando adivinho o tema que se iria ouvir do grupo que tinha sido acabado de anunciar.