Há alturas na vida em que sentimos a voz cansada, e as cordas gastas de tanto gritar. E é quando nos recostamos que alguém toma as nossas rédeas e fala por nós.
E porque nem sempre é fácil a revelação pessoal brotar dum pulo de língua ou dos saltitos de dedos destros . O ser feito novelo que se desenrola com desvelo . Toma-se-lhe a ponta . Desfia-se . Recriemos
quinta-feira, junho 21
17
quinta-feira, maio 17
16
Escuta.
Escuta, é uma palavra eterna, sim. Mas mais do que uma palavra, é toda uma postura perante a vida.
Suplicante.
terça-feira, maio 15
sábado, maio 12
quarta-feira, abril 18
13
Conversas daquelas de pontas múltiplas, caídas no guarda-chuva virado ao contrário.
segunda-feira, abril 16
12
Dizem, Gostos não se discutem, no entanto, numa grande maioria das discussões, é só isso, e nada mais, que está em causa.
quarta-feira, abril 4
quinta-feira, março 8
10
Será que alguma vez nos apercebemos daquele primeiro momento em que conseguimos recomeçar uma nova vida?
É agora!
Sentimos aquela camada grossa e pegajosa a cair lentamente por nós abaixo, os passos tornam-se mais leves e os bicos dos pés já nem tocam no solo.
É mesmo?
(devolvo-me à tarefa de minutos atrás, a de limpar as ranhetas afincadamente , polegar, indicador, consoante o ângulo a limpar; olho janela fora e penso, o que já muitas vezes pensei, Deviamos ter narizes maiores ou um maior número de narizes por cada pessoa...)
quarta-feira, fevereiro 21
dB
2006 é o colmatar de brechas em formato de sons. Estes que se seguem, são dois dos vários que tenho cá dentro, que me conseguem sempre deixar os olhos picados por cloreto de sódio.
domingo, janeiro 14
I dream of open doors and gates of places I've never been before. Or have I?
There's a gate surrounding my thoughts that is slightly opened. Just a bit. Just the right amount not to suffocate. But what I want is to have big gulps of air, AIR!!! Gushing down my entrails, and expel myself through those tiny molecules.
I can't open it wide enough...
domingo, dezembro 31
Despedida
Despeço-me do ano velho com obra feita por duas pequenas mãos que contribuem, deste modo, para o crescer do Farrapos. Quem melhor do que eles para o fazerem por mim?
A quem aqui vem, e toma o cuidado de nos ler todos os dias, mesmo que não publiquemos com tal periodicidade, o meu desejo de um 2007 a baloiçar entre o polegar e o mindinho.
Desfirem-lhe com toda a vibração que vos aprouver.
Título Pear Knot
Riscos de Jessica, 8
Coloração de David, 5
terça-feira, dezembro 19
9
Alguém que tenha a bonança e a tempestade num mesmo olhar; olhar pousado no infinito de visão 360º; se sente comigo, de pernas cruzadas, no pedregulho do alto da falésia, e se atreva a cavar um fosso.
19 Dez. 2006
sexta-feira, dezembro 8
8
É quando me entrego a tarefas simples - como passar a ferro ou descascar ervilhas -, que me sinto atingir verdadeiros estados de iluminação. Toda a energia parece ficar concentrada no interior onde uma enorme caldeira entra em ebulição, os movimentos exteriores são meramente mecânicos.
Talvez isto explique porque este mundo actual carece tanto de luminosidade.
quinta-feira, dezembro 7
7
Há misturas efervescentes. Outras, explosivas.
Mas de pouco ou nada vale ser o bicarbonato na ausência de líquido.
segunda-feira, dezembro 4
Vidas sem título
No decurso dos séculos, nota-se um crescendo de dias assim : solitários.
E nesse abandono de dias, verifico que o medo, em mim, já se não processa do mesmo modo.
terça-feira, novembro 28
5
Onde está o futuro?
(Está nos olhos de quem não teme)
Não me olhem assim e respondam-me: ONDE ESTÁ O FUTURO?!
terça-feira, novembro 21
segunda-feira, outubro 30
Convocação
"Gosto do vento mas só quando o procuro."
É esta frase uma das.
Daquelas que resistem; das que servem de trave-mestra; das que respiram união. E foi essa a frase que a levou a sentar-se ali. Ali em cima da mesa de madeira acinzentada pelo tempo, de pernas cruzadas.
Procurava-o.
De costas viradas para o ocaso, tinha os olhos cravejados na fonte, na nascente de toda a luz. Fustigava-lhe as costas - o vento -, parecia querer dizer-lhe algo, mas ela não mostrava qualquer receptividade. Esbraveceu, ele. Começou gradualmente a levantar a voz; aquele vozeirão todo fazia tremer a natureza minutos atrás tão calma. Engrossou o tom com que a chamava; revolvia as folhas já caídas de dias, devolveu-as à queda, ao vôo solto de serem raínhas por instantes apenas. Remexeu os braços expessos das árvores anciãs até que elas chiassem Escuuuta-ooo. Mas ela mantinha-se sentada - quase nem pestanejava - no meio de todo aquele alvoroço.
Não se sabe se impávida, se serena, se desatenta, se revoltada, se inquieta, se todas as emoções contidas num pequeno tubo de ensaio - nem mesmo eu que aqui a conto o sei.
- As mensagens são geralmente bem melhor escutadas e compreendidas de permeio com o caos -
E quando alguém a questionou Que fazes aí?, respondeu Penso.
quinta-feira, outubro 5
3
In that past, now long forgotten, we were the doers.
In this present, we can probably call ourselves the thinkers, although we might not realise to what extent we truly are.
How about the future? What will we become in the ages to come?